C.Q.D.
"De onde menos se espera, é que não sai nada mesmo."
autor desconhecido
Para quem não conhece o termo, as iniciais "CQD" ("Como Queríamos Demonstrar") são utilizadas em pesquisa científica, quando os resultados de um experimento comprovam de forma irrefutável a hipótese proposta pelo cientista. Assim, caso alguém duvide da Segunda Lei de Newton, basta que um cientista lhe arremesse um piano de cauda na cabeça para provar que, de fato, a força resultante que atua sobre um corpo é igual ao produto da multiplicação da massa pela aceleração. O trabalho, a ser publicado na penitenciária, conteria as iniciais "CQD" ao final, encerrando a polêmica.
Pois bem.
Desde o primeiro dia do locaute dos caminhoneiros, ficou evidenciado que a pauta da categoria era puramente econômica. Ficou também evidente que não se tratava de uma "greve" dessas comuns, que pleiteiam reajustes de remuneração a um empregador recalcitrante. Nessa "greve" sui-generis, empregadores (transportadoras) e empregados (caminhoneiros) se uniram com o objetivo comum de extrair ganhos da "Geni" de sempre: o governo. Que, como se sabe desde que o Homo sapiens resolveu fundar o que veio a se chamar de "civilização", tratará de cobrar a fatura da população, através de novos e maiores tributos. Benjamin Franklin foi ao cerne da questão quando afirmou que só existem duas coisas certas nesse mundo:a morte e os impostos.
Mas já falei disso no outro post, certo?
Acontece que a população, mormente a parcela da população que abomina o governo Temer (quase todo mundo), incluindo um leque de gente que vai desde os que querem trocar Temer por um general linha-dura até gente que quer o "Fora Temer" para trazer Lula de volta (sai pra lá, mangalô três vezes!) resolveu encampar o movimento, emprestando-lhe cores ideológicas e partidárias. De um locaute por causa de dinheiro, virou uma convulsão social contra "tudo isso que aí está". Gente que dias antes quebraria tudo se visse a gasolina subir no posto de 4 para 7 reais, fez fila para abastecer no preço ditado pelos postos que ainda tinham reserva de gasolina nos tanques. Donas de casa pagaram 10 reais pela dúzia de ovos, sem dar um pio. Era o "sacrifício pela boa causa" como se dizia. Muitas pessoas de alma boníssima viram cenas dantescas de depredação, ameaças, arruaceiros arrombando carros particulares para saquear sua carga de verduras e jogar para o alto, alimentos sendo jogados no lixo, milhões de animais de criação morrendo por falta de ração e prejuízos irreparáveis ao Brasil, e nem se incomodaram. Numa deturpação absurda dos fundamentos mais comezinhos de ética social, disseram que "era preciso quebrar ovos para fazer um omelete", uma vulgarização da linha de pensamento pseudo-ética que admite que os fins justificam os meios. É uma aberração, como a História nos provou centenas de vezes. Para citar um exemplo clássico, Torquemada empregou essa lógica torta ao torturar suspeitos de bruxaria durante a Inquisição. A causa era "nobre" para os padrões da época. Mas os meios eram condenáveis, para qualquer época.
Arrumei uns bons desafetos, ao tentar desmistificar isso. Não lamento - não perdi nada de muito valioso. Fui xingado, chamado até de "petista". Se não fosse tão visceralmente cômico, seria ofensivo. Soa como xingamento de moleque de ginásio (sim, sou do tempo do ginásio!): "Seu viado!" "Viado é você, seu fdp!" Normalmente os dois valentes se contentavam com os impropérios, após uma hora ou duas na sala da Diretoria. Hoje, eu não sei do que xingam, do jeito que as coisas andam, se chamar alguém de "heterossexual" é capaz de render até expulsão...hehe.
E hoje, saiu no G1 a notícia que os "líderes" do movimento "grevista" decidiram encerrar a greve, depois que o governo Temer, na reunião realizada ontem à noite, concedeu-lhes um desconto de 46 centavos no litro de óleo diesel e mais algumas coisas, entre as quais a edição de uma surreal "tabela mínima de frete" algo que eu julgava extinto no Brasil desde os tempos de Collor. Lógico que as benesses às transportadoras, como a exclusão do projeto de reoneração da folha, foram mantidas. Segundo o presidente da Sinditac de Ijuí (RS), Carlos Dahmer, "Todas as reivindicações pedidas foram atendidas, estamos apenas aguardando a publicação no Diário Oficial para solicitar aos companheiros que encerrem a greve e liberem as estradas."
Mas... mas... e a sociedade? E o "Fora Temer"? E a "Intervenção Militar Já"?
Lamento informar, meu povo, que como eu previa, isso não fazia parte da pauta dos caminhoneiros. O negócio deles eram os 46 centavos e a tabela de frete, entenderam? E assim como as transportadoras manipularam os caminhoneiros, os caminhoneiros manipularam vocês.
Resta agora varrer as ruas, limpar as cinzas das estradas e somar os prejuízos. No médio e longo prazo, a "greve" custou 10 bilhões de reais ao país, segundo estimativas confiáveis. Vai provocar uma queda de até um ponto percentual no crescimento do PIB em 2018. Menos PIB, menos emprego, menos trabalho e renda.
Mas os 46 centavos estão garantidos, viu? Quem tiver uma picape turbo de 220 HP, pode ficar tranquilo: o diesel pra carrão já está chegando aos postos. Com desconto!
Mas não desanimem! Daqui a uns dias vem a GREVE DOS PETROLEIROS! Mais uma boa oportunidade para a turma do "Fora Temer" ir às ruas, com apoio da CUT, para exigir o fim "de tudo que aí está". Sugiro estocar combustível antes, viu? Pessoal está dizendo que essa vai ser braba, o movimento só para quando Temer cair. Ou, quem sabe, um aumento, ao menos?
Por fim, para você que acreditou na "greve" como fator de revolução social e política, deixo a figurinha simpática que ilustra esse post.
"TOMÔ?"
Ou,melhor.... C.Q.D.

Adorei! Boa
ResponderExcluirMas que precisa acabar com o aumento da carga tributária no Brasil, isso é uma realidade. Cada governo só aumenta isso, com a desculpa que não há verbas para pagar as contas publicas. Mas para mordomias, inchaço da máquina governamental, aumento do número de políticos, verbas parlamentares, empréstimos com juros baixíssimos para amigos, verbas partidárias, dinheiro para ONGS, e mais umonte de obscenidades pagas com dinheiro público, não encontram limites para continuar a crescer
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