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Jack Sparrow, Pernalonga e os caminhoneiros

"Eu? Eu sou desonesto. E você sempre pode confiar que um homem desonesto será desonesto. Honestamente! É com os honestos que você deve se preocupar, porque nunca se pode prever quando eles farão algo incrivelmente estúpido"
"Jack Sparrow" em Piratas do Caribe



Os escritores e roteiristas da série de filmes "Piratas do Caribe", Terry Rossio e Ted Elliot, ao comentar o pirata protagonista "Jack Sparrow" interpretado por Johnny Depp, revelaram que, ao criar o personagem, quiseram fugir do estereótipo de pirata "herói" imortalizado em antigos filmes do gênero por atores como Errol Flynn e Tyrone Power, e ajustar a figura do Capitão Sparrow ao estilo "bad boy" que domina a cena de "heróis" hollywoodianos nesses tempos Velozes e Furiosos. Por sinal, o papel de "pirata bom-samaritano e apaixonado", tão bem interpretado por Flynn, ficou para Orlando Bloom, na pele de William Turner. Gente boníssima, mas chato que só ele mesmo.  Ao procurar um arquétipo para o personagem principal, que fosse "esperto", "malandro", "bad boy" porém de alma intrinsecamente "benigna" e, claro, encantador (daí a escolha natural de Depp para o papel), veio-lhes à mente a figura do Pernalonga ("Bugs Bunny" no original), um anti-herói espertalhão amado por 10 entre 10 telespectadores que tenham visto um desenho animado na vida. Pernalonga é o típico malandro. Mesmo quando se mete em fria, ele consegue escapar na lábia, ou, em muitos casos, pespegando a culpa em outro personagem. Em suma, é um manipulador e um dissimulado. Um perfil ideal para o também finório Capitão Jack. Que por sinal, não faz nenhuma questão de esconder isso, como deixa clara a frase dita por ele e que encabeça esse texto. Ele é, acima de tudo, "desonesto". Mas, como é um querido, e como acaba sempre "se dando bem", não é visto como uma influência negativa, até pelo contrário. E a gente sabe que ali, debaixo daquela malandragem toda, existe um herói.  Um coração valente, disposto a morrer pelos seus. Uma cena na qual poder-se-ia perfeitamente tirar o Depp e colocar o Pernalonga surge logo no começo do primeiro filme da série, quando Jack é confrontado pelos dois soldados guardiões do navio da Marinha inglesa e, depois de fazê-los discutir entre si, sai de cena e surge já ao leme do navio. Puro Pernalonga! E no fim do segundo episódio, o herói surge quando Jack retorna ao Pérola Negra para enfrentar seu destino inevitável. Não sei se o Pernalonga chegaria a tanto.

Mas onde quero chegar com essa conversa de cinema? Avancemos nos episódios, para chegar numa das cenas mais engraçadas do quarto filme da série ("Em Águas Misteriosas"). Jack foi capturado pela filha do terrível pirata Barba Negra e embarcado no navio do facínora, com a função de indicar o caminho para  a Fonte da Juventude. Como é do seu feitio, o Pernalonga, ops, Capitão Jack Sparrow não perde tempo e começa a urdir um motim, para tomar o navio e, lógico, escapar. À luz de uma vela, o pirata junta seus companheiros de infortúnio, e lhes apresenta uma narrativa segundo a qual aquele navio sequer tem Capitão (já que ninguém viu o tal Barba Negra até então). E ameaça: Se seguirem naquele rumo, vão todos morrer inapelavelmente. A tripulação se rebela, e as armas aparecem. Um dos revoltosos sai furioso, para atacar os zumbis do Barba Negra. Jack olha para os demais por um segundo, e sinaliza com as mãos: "Vão lá!". E todos saem para lutar. Menos o Jack, claro. 

Na sequência, surge a figura sinistra do Barba Negra e põe fim ao motim, a seu modo nada delicado. Sparrow imediatamente aparece e se oferece como delator da turma toda. E, no final, quem morre é o cozinheiro (desculpem o spoiler, tá?).  A cena é antológica, e ilustra à perfeição o maucaratismo do personagem, o que em nada tira seu charme. 

Muito bem, mas onde os caminhoneiros entram nesse enredo? Chegaremos lá.

Na segunda-feira, 21 de maio de 2018, teve início a maior greve de caminhoneiros já vista no Brasil. Vou usar o termo "greve" por ora, mesmo sabendo que não se tratou disso, em absoluto. O movimento começou tímido, com alguns pontos de bloqueio aqui e ali. Mas o governo fez de conta que não era com ele. E na verdade, não era mesmo. Não resta dúvida que a política de preços de combustíveis introduzida na Petrobras na gestão do engenheiro Pedro Parente acabou por gerar uma insatisfação profunda nos consumidores em geral e nos caminhoneiros em particular. O óleo diesel subiu cerca de 20% em cinco meses, refletindo a explosão dos preços de petróleo no mercado internacional (de 50 para 80 dólares o barril), agravado pela valorização do dólar perante o Real. Parente e a área técnica da Petrobras, no afã de tirar a empresa do atoleiro populista destrutivo que a ex-presidente da República Dilma Rousseff e os ex-presidentes da empresa na gestão petista a meteram, acabaram com a ingerência política na fixação de preços, usada como instrumento de politica macroeconômica e de controle da inflação até então. Essa política perversa, junto com o manancial de roubos na empresa patrocinados pelo PT e partidos da chamada "base aliada do PT", jogou a maior empresa brasileira no descrédito e quase insolvência. O valor de mercado da empresa, anteriormente acima de 200 bilhões de Reais, despencou para menos de 67 bilhões (para um patrimônio líquido da ordem de 277 bilhões). O endividamento estrangulava a empresa e limitava sua capacidade de investir. Em dois anos, a gestão Parente reverteu a queda, saneou a governança corporativa e colocou a Petrobras no caminho do lucro e crescimento. No dia da deflagração da greve dos caminhoneiros, o valor de mercado da empresa já beirava os 350 bilhões de Reais, e a Petrobras voltou a ser a maior empresa brasileira. Mas não foi um processo indolor. O preço dos derivados disparou. Se houve um erro no procedimento, foi o de fazer reajustes quase diários de preços, para cima e para baixo, com base na paridade do preço internacional. Embora pequenos, os reajustes sucessivos deram ao consumidor a sensação de que os preços estavam subindo a um ritmo alucinante, o que não era o caso. Teria sido melhor adotar uma "média móvel mensal" e ter ajustado os preços uma vez por mês, sempre acompanhado de uma explicação bem fundamentada para os aumentos. Faltou informação, acima de tudo. Para se ter uma ideia, ganhou corpo na mídia a lenda segundo a qual "a gasolina brasileira é a segunda mais cara do mundo". É uma lorota, como qualquer consulta rápida ao site da GlobalPetrolPrices comprova facilmente. A gasolina no Brasil, mesmo com a brutal carga tributária que carrega, ainda é mais barata (ou menos cara) do que em qualquer país da Europa. Está, inclusive, abaixo da média mundial.  Outra lenda urbana que proliferou foi o suposto "subsídio" da Petrobras para Paraguai e  Bolívia, já que esses países vendem a gasolina adquirida da estatal brasileira abaixo do preço no varejo aqui. Os que divulgam essas "notícias" esquecem (ou preferem esquecer) que a Petrobras vende derivados ao mesmo preço para todos seus clientes, seja no Brasil, seja no exterior. Acontece que como todo produto exportado, o combustível destinado ao Paraguai e Bolívia sai sem incidência de impostos. No Paraguai, a tributação é praticamente zero, resultando então um preço cerca de 40% menor. E na Bolívia a situação é mais complexa ainda, já que a Bolívia paga a gasolina que importa com o gás natural que exporta ao Brasil, e adota uma clara política de subsídio ao consumidor em função disso, por motivos políticos e ideológicos..  Mas o que chega ao cidadão é a "versão", nunca o "fato".

Ninguém em sã consciência duvida que os aumentos de preços, notadamente do óleo diesel, tiveram um grave impacto na rentabilidade do transporte rodoviário de carga realizado pelos caminhoneiros autônomos. O que sobra no fim da viagem foi minguando, minguando, até praticamente desaparecer. Somado aos pedágios cada vez mais caros, à manutenção dos veículos e da amortização dos financiamentos para aquisição de novos veículos, a situação ficou insustentável. Não há como negar isso. 

Então, como afirmar que "o governo não tem nada com isso"? Que absurdo! Não é?

Eu explico. Antes, vejamos o caso de uma empresa industrial. A General Motors, por exemplo. Entre as matérias-primas que compõem seu custo de produção, um dos mais relevantes é o aço, produzido pela CSN. Digamos que o aço, em função do aumento dos preços internacionais das commodities, como minério de ferro, suba de preço de forma aguda. Uns 100%, para ilustrar o ponto. O que a GM faz? Fácil: ela calcula o peso relativo do aço no seu custo de produção, obtém um percentual, aplica o reajuste do aço sobre esse percentual e - voilá - na semana seguinte os carros da GM sofrem aumento de preços de "x" porcento. Aula de microeconomia para calouros.  Se a GM aumentar o preço, e a Ford não aumentar, a tendência é a GM perder "market share" para a concorrente. Mas como a composição dos custos é muito semelhante para todas, a Ford acaba aumentando também, e o mercado absorve esse aumento, que, cedo ou tarde, vai desaguar no índice de inflação.  Isso vale para uma montadora de automóveis colossal, vale para uma metalúrgica de médio porte, vale até para o pipoqueiro da esquina. E vale, sem dúvida alguma, para o microempresário de transporte rodoviário com inscrição na ANTT, também conhecido como "caminhoneiro". Note: não estamos tratando de carrinhos de pipoca. Um bom conjunto composto de cavalo mecânico, semi-reboque e reboque, o popular "bitrem", chega a custar quase um milhão de reais na concessionária. Vale mais do que muita empresa de pequeno porte por aí.  

Então, qual seria o procedimento "normal" em caso de aumento de custos com diesel, pneus, pedágio ou qualquer outro insumo? Isso mesmo: o aumento no preço do frete, num percentual que "anule" a perda de lucro oriunda do aumento do custo, mantendo estável a remuneração do executor do serviço. Aula de economia, nível Massinha I, como se diz.

E, de fato, isso acontece. Alguém que tenha uma carga para transportar, se procurar um caminhoneiro em qualquer lugar desse Brasil, vai pedir um orçamento. O caminhoneiro vai puxar um bloco de papel, e vai fazer seu cálculo: diesel, pedágio, imposto sobre o frete, uma boa margem de lucro para remunerar seu trabalho honesto, e pronto: seu frete vai custar "x".  Tá caro? Paciência, eu só faço por esse valor. Não gostou? Procura outro. Que vai fazer a mesmíssima coisa. Quem já tentou contratar uma mudança sabe bem do que estou falando. 

E o que o governo tem com isso? Nada. Zero. São relações comerciais entre duas entidades privadas. Novamente, aula de economia para calouros.

Mas existe uma outra situação, bem mais predominante no setor do transporte rodoviário brasileiro. Quase 100% do transporte rodoviário "de volume", ou seja, de itens como minério, commodities agrícolas, máquinas, produtos industrializados etc etc, é feito por empresas especializadas em transporte rodoviário de carga. Muitas são gigantes do setor, com até 2 mil caminhões próprios. Boa parte dessas empresas surgiu ou cresceu exponencialmente nos últimos 12 anos, embalado pela explosão na produção brasileira de grãos e veículos, e pelas amplas facilidades de financiamento oferecidas pelo BNDES. Ao mesmo tempo, milhares de empreendedores individuais (os caminhoneiros) também adquiriram ou trocaram seus caminhões, sempre com financiamento de longo prazo. Boa parte se endividou muito além do razoável. E quase todos fazem frete para as empresas transportadoras, que controlam esse mercado. Como resultado, há hoje capacidade ociosa no setor de transporte rodoviário. E, consequentemente, disputa acirrada pelos fretes disponíveis. Eis a receita do desastre. 

Numa cenário normal, o que aconteceria? 

Com os aumentos dos custos, principalmente do óleo diesel, o natural seria o prestador do serviço negociar com o contratante - no caso, a transportadora - um reajuste no valor do frete. A empresa negocia, aceita pagar um valor maior, e repassa o aumento para o cliente final, dono da carga. Certo? Novamente, o governo não tem qualquer ingerência nessa negociação, entre prestador de serviço privado e empresa privada. Não existe "tabelamento de preço de frete" no Brasil, editada por uma "Sunab" da vida. Isso acabou há décadas. Para o bem de todos, diga-se de passagem.

Mas, infelizmente, não é isso que acontece. O raciocínio é simples. Se existem centenas de empresas competindo, se há milhares de caminhoneiros autônomos (cerca de 800 mil) querendo "pegar frete", instala-se a crise: as transportadoras não conseguem repassar aumentos concedidos aos caminhoneiros, porque a concorrência não permite (e se forçar, arrisca as empresas contratantes montarem frotas próprias). E elas não admitem perder lucratividade. Então, se um caminhoneiro entrar no escritório da transportadora e exigir aumento no frete para compensar o preço do diesel, leva um "não" pelas fuças. 

Qual a "solução à la brasileira" para a crise?

Voltemos a Jack Sparrow, pois. O que ele fez naquela cena, foi um troço chamado "manipulação". Ele pegou um grupo que já não estava muito feliz da vida, e insuflou. Semeou a revolta, e colheu o motim que atendia muito mais a ELE, do que aos amotinados (embora pudesse servir a ambos). Um dos quais acabou torrado vivo, como se viu. Sparrow se incomodou com isso? Não. A tripulação era apenas um grupo de marionetes para conseguir os SEUS objetivos, não os deles. Espertamente, ele ficou na retaguarda, e quando a coisa fracassou, foi o primeiro a aderir à repressão. Maquiavélico, não? (embora o Maquiavel nunca tenha, na verdade, defendido essa forma de agir).

Nessa farsa que alguns chamam de "greve", os manipuladores são as transportadoras. Elas "apoiaram" a greve desde o início. Fomentaram a greve. Quanto mais violenta, melhor. Quanto mais bloqueios, melhor - o governo se veria em maus lençóis, como de fato ocorreu. A solução seria mais "generosa" quanto mais agudas fossem as perdas com o movimento. E se conseguissem o apoio da "população", tanto melhor. Inclua-se então uma pauta política, contra "tudo isso que aí está". Bota um "Fora Temer" na faixa, que a população vai ao delírio. E foi mesmo. Principalmente uns e outros que se locupletaram na "greve", os postos que botaram os preços nas alturas, os mercados que inflaram seus preços. E a população, iludida mas esperançosa, topou pagar absurdos pela gasolina e pela comida, e encarar falta de remédios e filas colossais. Tudo aquilo que provocaria uma revolta popular sem precedentes alguns dias antes, era tolerado e até glamourizado, porque "a causa é nobre". Coitados, mal sabem eles que os "vencedores" só queriam mesmo um "jabá" do governo,em forma de isenção de impostos. Vão derrubar o governo? Provocar a "intervenção militar", tão ao gosto de uns e outros? Pago pra ver. Em outubro, os mesmos serão eleitos, e a população vai é cuidar do corpo porque o verão vem aí. 

E qual era o objetivo disso tudo?

O que é mais fácil: buscar eficiências e sinergias para permitir manter a competitividade face aumento de custos, ou ir bater à porta do governo? Remunerar melhor seus prestadores de serviços, ou amotiná-los para que eles forcem o governo a conceder benesses que, no frigir dos ovos, vão favorecer as empresas? Vejam só: entre as reivindicações exigidas para o fim dos bloqueios nas estradas, os caminhoneiros incluíram a exclusão das transportadoras da reoneração da folha de pagamento...das empresas!!! Que pauta é essa? É dos caminhoneiros? Não! Então que diabos isso está fazendo na pauta de exigências? Foi INSERIDA lá, pelos "Jack Sparrow" do movimento "grevista": as transportadoras.. Outra "exigência", igualmente atendida pelo governo: a dispensa de licitação para fretes contratados pelo governo via CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento, responsável pela política de preços mínimos de produtos agrícolas no país). A quem favorece isso, sendo que quase toda a carga da CONAB é transportada via transportadora? Sem licitação, abre-se a porta para o quê, mesmo?  

Onde já se viu, no mundo, uma classe de trabalhadores fazendo greve para defender os interesses dos patrões? Só no Brasil, terra da jabuticaba. Em qualquer lugar do planeta, quando uma classe de trabalhadores se vê com remuneração defasada, ela vai buscar isso na porta do patrão. Fazendo greve, se for o caso. Greve justa! Bota o caminhão na porta da empresa e só sai de lá com reajuste na mão! É assim que se faz. Ou deveria.  Mas...

Então, fez-se a "greve". Que, doravante, chamarei pelo nome real: LOCKOUT. Ou melhor, "locaute". Que é a greve dos empresários, que usam para esse fim os trabalhadores. Proibido pela Lei 7783 de 28 de junho de 1989, no seu artigo 17, conhecida como Lei de Greve. 

E nesse locaute (agora sem aspas), quem ganha? Quem perde? O governo? Ora.. o governo perde substância politica, já corroída por todos os lados. Mas o governo, como bem afirmou a Lady Thatcher, não possui dinheiro próprio. Não existe "dinheiro público". Existe apenas "dinheiro do contribuinte". Então, mais uma vez: quem vai pagar a conta das benesses que evitaram prejuízos às empresas transportadoras? Adivinhe. E para atingir esse resultado, através da violência e do sequestro dos direitos fundamentais assegurados na Constituição, quem foi punido? Sim: eu, você, o pipoqueiro da esquina, o rapaz que levava verdura na sua picape e que que foi atacado e teve a carga destruída, o avicultor que perdeu toda sua produção, o pecuarista que teve que jogar seu leite fora, a pessoa que precisava chegar em algum lugar e não encontrou gasolina no posto ou foi retida ilegalmente num bloqueio. O cidadão perdeu. A cidadania perdeu. O Brasil perdeu. Como sempre. 

Uns podem dizer que isso é o preço da democracia, as dores de um "novo Brasil". E que os fins justificam os meios. Que "não se faz omelete sem quebrar ovos". E coisas do gênero. Eu discordo veementemente. Os fins não justificam os meios. São os meios que qualificam os fins.  

E o cozinheiro foi queimado. Ninguém se lembrará dele. 





Comentários

  1. Sensacional!!
    Deveria ser publicado na primeira página do jornal de maior circulação nacional!
    Sou sua fã.
    Karin Brazutte

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  2. Boa rolland!!!Excelente texto, e até digo que deveria ser entregue uma cópia deste texto para todos os cidadãos brasileiros, para poderem realmente entender como a " máquina " funciona....

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  3. Muito bom! Explicação didática! Só não entende quem não quer. É pura lógica, Parabéns!

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